Quais são as principais características da Escola Austríaca de Economia?

Ação, Tempo e Conhecimento
A Escola Austríaca de Economia possui características teóricas bem marcantes e que a distingue de outras tradições. O professor Ubiratan Jorge Iorio, em sua obra “Ação, Tempo e Conhecimento: A Escola Austríaca de Economia”, apresenta aquilo que ele considera o fundamento desta escola de pensamento econômico. Analisaremos, pois, cada uma delas.


Ação Humana

Seguindo os ensinamentos de Ludwig von Mises, a economia não trata meramente dos recursos, mas do estudo da ação humana sobre a utilização dos recursos. Dito isso, Mises estabelece a diretriz básica de toda ação: indivíduos são motivados a saírem de um estado de desconforto para atingirem maior conforto, sendo o entendimento sobre maior ou menor conforto totalmente subjetivo.

Essa subjetividade é ponto-chave para entendermos como os indivíduos agem. Nesse sentido, até mesmo um suicida busca, conforme avaliação subjetiva, atingir maior conforto. Em sua avaliação particular, dar cabo de sua vida é melhor que continuar vivendo. Podemos até discordar da ação tomada, mas não devemos ignorar que sua escolha seguiu uma avaliação subjetiva de valor.

Em suma, indivíduos distintos valoram objetos e recursos de maneira diferente, pois as necessidades, circunstâncias e motivações psicológicas variam de pessoa para pessoa. Dito de outro modo, aquilo que possui valor para mim, não necessariamente possuirá para você. Vale frisar que estamos falando sobre valor, não preço. 

Tempo Dinâmico

Como explica o Professor Iorio, existe o tempo newtoniano, isto é, o tempo enquanto realidade que mede o passar dos segundos, minutos, horas ou dias, e o tempo dinâmico, ou seja, a percepção individual sobre a duração dos eventos. Quando nos debruçamos sobre os fenômenos econômicos, falamos principalmente do tempo dinâmico.

Para exemplificar, pense em momentos de sua vida em que pareciam intermináveis. Certamente você já passou por uma experiência assim. De igual modo, você já deve ter passado por situações em que tudo pareceu um piscar de olhos. Isso acontece porque nosso estado psicológico influencia a percepção do tempo. Para nosso infortúnio, na maioria das vezes, os momentos “intermináveis” são aqueles de maior estresse, ao passo que momentos de grande felicidade parecem durar tão pouco.

Mas o que isso tem a ver com economia? Tudo! O tempo é a variável mais importante quando falamos sobre capital e juros, por exemplo. Vemos, inclusive, que a fórmula dos juros compostos é formada pelas seguintes variáveis: montante, capital, taxa de juros e tempo. O tempo é a única variável exponencial, e, portanto, é aquela que mais faz a diferença no acúmulo ou pagamento de capital.

Conhecimento Disperso

É crucial estabelecer uma distinção clara entre conhecimento e informação. Em poucas palavras, o conhecimento é um processo intimamente ligado à experiência tácita, sendo produto da aprendizagem, de erros e acertos. A informação, por sua vez, se relaciona aos dados disponíveis para uma pessoa ou grupo específico. Utilizamos as informações para formarmos opiniões, ao passo que usamos o conhecimento para tomada de decisão.

Mas esse conhecimento é imperfeito, limitado e se encontra disperso na economia. Para entendermos melhor, façamos um paralelo entre o papel do conhecimento disperso na sociedade e o da divisão do trabalho. Na divisão do trabalho, cada pessoa ocupa uma função produtiva na sociedade de acordo com suas habilidades, aptidões e possibilidades. É impossível ocuparmos todas as múltiplas funções dentro de uma economia, por isso nos especializamos em algo específico.

Ocorre o mesmo no caso do conhecimento. Tomamos decisões para nosso próprio benefício com base em nosso entendimento individual e subjetivo do cenário que está diante de nós. Mas, ao fazermos isso, compartilhamos, embora sem querer, o conhecimento sobre quais métodos produtivos usamos e como eles podem ser úteis para os outros. Cada qual soma com sua parcela de conhecimento para solucionar problemas que não poderiam ser solucionados por ninguém isoladamente.


Conclusão

Por incrível que pareça, o estudo convencional da Economia costuma ignorar os pontos aqui elencados. A educação formal do economista geralmente segue uma abordagem que, não raro, ignora as características humanas mais elementares.

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