O Dólar não vale nada…

O título de meu artigo não se trata de um “bait”, isca em inglês, termo usado para capturar a atenção do leitor. O título do artigo carrega em si uma coisa muito importante que é obviamente as reticências no final da afirmação. Todo economista austríaco sabe que valor não é algo que se possa mensurar cardinalmente, e sim algo que infere uma preferencia ordinal. Isso significa que valor é algo subjetivo, e algo que vale mais para mim hoje, pode valer menos para você nesse mesmo instante. E tudo isso pode mudar em questões de minutos.

Mas o fato mais interessante é que sempre tivemos crença no papel que o dólar desempenha no mundo, o papel de moeda de reserva. Essa tal definição, moeda de reserva, nada mais é que a escolha natural dos países em aceitar esse papel como moeda de troca em suas transações comerciais. Por exemplo, quando o Brasil comercializa com a Argentina, os pagamentos diferidos são todos transformados em dólar e contabilizados assim.

E deste modo, desde 1971 com o final do acordo de Bretton Woods, o dólar virou algo que os países deveriam ter entesourado em seus cofres, em uma quantidade que lhes permitisse fazer negócios com outros países. Ou seja, quanto mais dólares um país tivesse em reserva, entesourado, mais capacidade de transações comerciais esse país teria para uma série de finalidades, tais como, pagamentos e transferências.

Fato é que, essa foi a estratégia americana de exportar inflação, trocando um papel pintado por toda sorte de produtos e riquezas internacionais. Sim meus amigos leitores, os americanos foram estratégicos em cooptar grande parte das riquezas das nações trocando um papel moeda pintado em seu território nacional por bens de consumo e fatores de produção produzidos mundo a fora.

Há algo de errado nisso? Claro que não. Se as relações de troca foram baseadas no livre mercado, sem ninguém obrigar ninguém a negociar, tudo está correto. Mas o fato é, que contra lei da oferta e demanda, nem a melhor estratégia monetária pode sair ilesa por tempo infinito!

Qual foi a estratégia americana para imprimir bastante dinheiro e não sentir os efeitos disso em sua economia? Simples! Ao criarem moeda do nada, eles precisavam comprar coisas para seu mercado interno sem que quem pegasse o dinheiro impresso por eles, gastasse com outras coisas. Por isso a ideia de forçar o dólar a se torna reserva mundial. Os países vendiam seus produtos, trocando os mesmos por dólares, porém não gastavam tais dólares deixando os mesmos em seus cofres como reserva.

A estratégia perfeita, até o momento que a humanidade se tornasse tão cheia dos papeizinhos pintados que esses começariam a perder o valor de forma pragmática. E aqui é que, de forma pragmática, explicarei o que aconteceu comigo essa semana, que demonstra tudo o que pode acontecer. Um amigo me telefonou, e de forma direta me fez a seguinte pergunta: “Quanto você paga no dólar?”

Eu respondi que não era afeito em comprar dólares, pois nas minhas diversificações o dólar não estava presente. Mas ele insistiu, e perguntei quanto ele queria. De pronto me respondeu “quanto você paga?”, demonstrando toda necessidade da operação. Repassei o contato dele para um amigo que opera com a moeda, e me pus a escrever este artigo.

O fato importante desta estória toda é que, muita gente que guardou dólares para uma emergência no futuro, entesourando a moeda, está vivendo efetivamente este período de emergência. Toda moeda deverá retornar para o mercado de forma que os preços das coisas começarão a subir, tanto nas moedas dos países como em dólares. A recessão causada pela quarentena forçada fez com que as pessoas no planeta precisassem abrir mão de suas poupanças para sobreviver sem produzir.

O resultado disso tudo é que em breve veremos a humanidade entender que riqueza é diferente de dinheiro, e que o valor das coisas está diretamente ligado na sua relação de oferta e demanda, e que contra isso, nem a estratégia governamental mais perfeita pode vencer. Preparem-se para um mindset diferente, onde ativos reais valerão mais que dinheiros governamentais emitidos por políticos. Moeda sem lastro, também é roubo!

Rodrigo Andolfato é empresário da Construção Civil, membro fundador do ilan – Instituto Liberal da Alta Noroeste